Maioria só acredita em melhoras no transporte de cargas em 2017

“Fabricaram caminhões como pão quente e não fizemos a renovação de frota, que continua à espera”
Geraldo Vianna

O otimismo da maioria dos transportadores de grãos não se estende a outros segmentos. Pesquisa da Confederação Nacional de Transportes (CNT) mostra que 50,8% dos transportadores entrevistados esperam perceber a retomada do crescimento econômico somente em 2017, 18,9% em 2018, e 13% a partir de 2019.
O ex-presidente da NTC&Logística e atual conselheiro da entidade, Geraldo Vianna, acredita em melhorias somente para meados de 2017. Até lá, segundo ele, as coisas ainda vão piorar. O transporte rodoviário de carga está “fortemente endividado” e continua com muito mais caminhões do que o necessário. “Não há como o transporte da safra de grãos salvar todo o TRC.”
A crise tem um impacto muito grande no transporte devido ao que Vianna chama de “bolha rodoviária”. Para segurar a economia brasileira após a turbulência internacional de 2008, o governo incentivou a indústria automobilística. Os juros do BNDES para a compra de caminhões chegaram a ficar negativos. “Nós alertávamos que ia haver uma inundação de caminhões e defendíamos um programa de incentivo à compra de caminhões novos dentro de uma política de renovação da frota e não de ampliação”, alega.
O governo não lhe deu ouvidos. “A indústria estava vendendo caminhão como pão quente. O programa de incentivo não foi feito para atender a necessidade do transporte, mas para atender a indústria automotiva e garantir emprego aos metalúrgicos”.
Vianna diz que sempre foi otimista – e continua sendo. “Sou otimista em relação ao futuro de longo prazo, mas, em relação ao período de até dois anos, temos de ficar com os dois pés atrás”, declara. Ele deixa claro que se trata de uma visão pessoal e não da entidade que representa.
O presidente eleito do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo (Setcesp) e diretor de Desenvolvimento e Novos Negócios do Grupo Braspress, Tayguara Helou, concorda com Geraldo Vianna: início de recuperação, só em 2017.
Helou ressalta que, apesar de uma retração menor do PIB em 2016, a situação das empresas do TRC estará muito difícil. “Uma coisa é encarar uma retração de mais de 3% (em 2015), com o fôlego ganho nos anos anteriores. Em 2016, teremos menor capacidade, porque estaremos vindo de um ano muito ruim. Mas será o fundo do poço, depois melhora”, justifica.

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