Setor de autopeças espera nova
formatação do inovar-auto

Autopeças brasileiras tentam se manter
competitivas para evitar importações

Desde 2012, o Programa Inovar-Auto, do Governo Federal, foi projetado para mudar a dinâmica do Setor Automotivo no Brasil. Incentivos para montadoras, com desconto em impostos, atingiram, diretamente, as fabricantes de autopeças nacionais ou que operam no país. Para conseguir dedução em impostos, as montadoras tinham que garantir um percentual de redução na emissão de gases poluentes, investir em pesquisa e desenvolvimento e, o que mais afetou na cadeia, ter fornecimento nacional de, pelo menos, 60% dos componentes.

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O Programa ainda não foi totalmente implementado – algumas metas ainda devem ser alcançadas em 2017 –, mas já há, na Cadeia Automotiva, correntes para mudanças no projeto inicial. Durante o período positivo entre 2012 e 2014, os resultados se apresentaram dentro do esperado. A questão é que, sofrendo com a retração econômica iniciada em 2015, o segmento enxerga um bom momento para mudanças. Reformas são vistas com bons olhos pelo Governo, pelas Autopeças e pelas Montadoras.
O Setor de Autopeças vive período de consenso: há uma defasagem e ela precisa ser corrigida de forma rápida para reestabelecer a competitividade do segmento. O lado positivo é que, com a ainda recente mudança de governo e o cenário mais otimista, esse é o momento de se fazer reformas estruturais, profundas.
As empresas nacionais de autopeças que fabricam componentes e insumos, correspondentes aos níveis 2 e 3 da cadeia, foram as primeiras a sentirem os impactos da instabilidade econômica pela qual passa o país. Esse fator tem complicado as operações tanto das fornecedoras quanto das montadoras, que precisam alcançar metas de utilização de componentes fabricados no Brasil e nível de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento no país.
A preocupação fica mais clara, pois já há casos de montadoras que foram descredenciadas do Inovar-Auto por não se manterem dentro dos requisitos e outras que sofrem com atrasos constantes devido a falhas nessa relação. A chinesa JAC Motors foi descredenciada em junho deste ano após cancelar o projeto de uma fábrica com capacidade de 100 mil veículos por ano, que seria feita em Camaçari (BA). A montadora ainda planeja construir uma planta no local, mas o plano de 20 mil modelos por ano ainda não garante participação no Inovar-Auto.
Outro exemplo de montadora com dificuldades, essa mais direcionada ao fornecimento de autopeças, é a Volkswagen. A empresa alemã, uma das mais antigas instaladas no Brasil, vem sofrendo com um fornecedor e teve sua produção afetada. Sua participação no Inovar-Auto não chegou a ser implicada, pois opera com fluxo bem maior de componentes nacionais. Mas, a situação serve de alerta tanto para outras fabricantes de veículos quanto de autopeças.
O lado positivo é que todos os setores da Cadeia Automotiva aguardam e são propositivos em relação a alterações no atual modelo do Inovar-Auto. Montadoras, fabricantes de autopeças e o Governo Federal consideram um bom momento para alterações.

Fabricantes de Autopeças e Montadoras de Veículos

O principal problema que afeta as fabricantes de autopeças é a falta de investimento. Fragilizado pela crise econômica, o Setor sofre um sucateamento. Algumas das maiores indústrias do país sofrem com falta de capital, ligado diretamente à dificuldade em conseguir crédito, e até matéria-prima tem sido escassa em algumas fábricas.
E aí começam os primeiros problemas com o Inovar-Auto. Além do custo maior para produzir os componentes para as montadoras, o que torna uma competição mais complicada com os produtos importados, há, também, o investimento obrigatório em um sistema de rastreabilidade – contrapartida do Inovar Auto.
O Sistema de Rastreabilidade é considerado caro pelas fabricantes de autopeças e impactam ainda mais no atual momento do Setor.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, admite que o Inovar-Auto pouco beneficia os tiers 2 e 3 neste momento. “O programa que previa um adensamento da cadeia produtiva ainda não surtiu o efeito desejado. O segmento de autopeças segue muito fragilizado, vivendo, talvez, a pior crise da história”.
O Inovar-Auto acaba ao final de 2017 e, até lá, o setor precisa buscar um diálogo com o governo para descobrir qual será a nova política para a indústria automotiva. No mercado, há diversas correntes sobre o assunto e uma delas prevê uma segunda fase do programa.
O cenário se torna ainda pior quando se colocam sobre a mesa as pretensões das montadoras. A maioria das fabricantes de veículos que operam no país sob os incentivos do Inovar-Auto possui planos de inovações em seus projetos em andamento ou para o próximo ano. A Fiat e a Renault, por exemplo, lançaram, recentemente, novos carros no mercado e prometem algumas novidades. Chevrolet e Volkswagen, em outro sentido, já fizeram ou vão fazer mudanças e reestilizações ousadas em seus modelos. Com isso, a preocupação das montadoras cresce em relação ao fornecimento em grande escala com a qualidade necessária.
Há preocupação das montadoras em desenvolver trabalhos que possibilitem às Autopeças crescerem. Por meio de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, seria uma alternativa, mas o atual momento não deixa uma margem segura para a aplicação de capital nesse sentido. Mas, elas têm tentado interpelar o governo em busca de crédito facilitado para as fabricantes de componentes, a fim de minimizar o problema que a Cadeia Automotiva vem enfrentando.

Governo Federal

Desde o início da crise econômica, já foi veiculado, algumas vezes, a possibilidade de mudanças no Inovar-Auto. Além da ampliação do programa, que, atualmente, terminaria em 2017, a estrutura pode ser também alterada. O MDIC (Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio) vem tratando, atualmente, sobre renovação na frota do país. Com preocupação com sustentabilidade e desenvolvimento econômico do Setor Automotivo, que corresponde a 10% do PIB industrial do país e emprega mais de cinco milhões de pessoas, o Inovar-Auto deve ser o meio procurado para colocar qualquer projeto em curso.

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