Brasil tenta fechar acordo bilateral com a Índia

Brasil e Índia caminham para a assinatura de novos acordos bilaterais em diversos setores. O tratado, caso assinado, deve incentivar os investimentos e o comércio entre os dois países emergentes que participam do grupo do Brics, formado também por China, Rússia e África do Sul.

Entre os tratados bilaterais assinados pelo Brasil em Goa, na Índia, estão o Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, e a parceria de pesquisa agropecuária entre a Embrapa (Brasil) e o Departamento de Reprodução Animal, Laticínios e Pesca da Índia.

No primeiro ato, o presidente da República Michel Temer divulgou as oportunidades aos indianos em áreas de infraestrutura no Brasil como concessões em portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, energia, óleo e gás.

Quanto ao segundo compromisso, a Embrapa vai investir R$ 100 milhões no desenvolvimento de sementes de lentilhas, em face da demanda indiana de 30 milhões de toneladas desse tipo de grão alimentar prevista até 2020. E na avaliação de especialistas consultados pelo DCI, a oportunidade de aumento do comércio brasileiro para os BRICS está na Índia. “Os acordos são importantes. É uma parceria estratégica e complementar para ambos. O Brasil é um grande exportador e pode oferecer segurança alimentar à Índia, e eles têm interesse no fornecimento de medicamentos ao nosso país”, considerou a professora de Relações Internacionais da Fundação de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Juliana Jerônimo Costa.
No encontro oficial entre o presidente Michel Temer, e o primeiro-ministro Narendra Modi, a autoridade indiana confirmou claramente ao representante brasileiro que seu país é protecionista na questão do agronegócio.

“Sua excelência [Narendra Modi] levantou temas importantíssimos para nós, como o tema de defesa, da agricultura, dos remédios, portanto da indústria farmacêutica, e nós ajustamos que eu mandaria missões do Brasil, que trabalham nessas áreas, para que possamos ampliar as relações precisamente nesses setores”, disse Temer.

Na defesa, o presidente citou que produzirá caças Gripen (de tecnologia sueca), além da família Super Tucano, de fabricação local e em atividade. A Embraer é reconhecida por sua tecnologia no exterior.

No contexto mais amplo, a tendência de recuperação econômica dos BRICS poderá proporcionar o aumento do comércio do bloco em 2017. “O potencial da Índia é enorme, considerando-se que este será o país de crescimento mais forte entre os BRICS no próximo ano”, diz Antonio Dominguez, diretor da Maersk Line para Costa Leste da América do Sul, que inclui o Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.

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