Mercado de caminhões tem retração de 30%

Em coletiva de imprensa, concedida em dezembro, o presidente da Anfavea, Antônio Megale, deixou claro o sentimento da entidade com relação a 2016. Para o executivo, será um ano que não deixará saudades. Um dos que mais sentiram o peso dessas palavras, foram os fabricantes de caminhões.
O segmento foi, de longe, o de pior desempenho nos onze primeiros meses do ano. As vendas internas encolheram 30,2% no período, para somente 46,1 mil unidades, enquanto a produção somou 56,4 mil unidades, 21,1% abaixo do registrado em igual período do ano passado. “O setor segue refletindo a retração da economia,” sintetizou, com alguma resignação, Marco Saltini, vice-presidente da entidade e diretor da Volkswagen Caminhões e Ônibus. O executivo, quase em tom de torcida, disse que aguarda a estimada recuperação do PIB em 2017 para que a indústria de caminhões ganhe novamente algum fôlego.
O desempenho de vendas e produção, de fato, tem sido alarmante nos últimos anos. O forte recuo de 2016 foi precedido de tombos até superiores em 2015 e 2014. A ociosidade, em algumas plantas, beira os 70% da capacidade instalada depois que o setor registrou o recorde de 187 mil caminhões fabricados em 2013.Em novembro, mais uma vez, o vermelho predominou nas planilhas das montadoras e revendedores. As vendas somaram 3,8 mil veículos, 19,7% menos do que no mesmo mês do ano passado, ainda que tenham superado em 356 unidades o total de outubro. “No acumulado do ano, porém, temos um mercado semelhante ao de dez anos atrás”, recorda Saltini.
Com esse quadro, não há mesmo porque a produção mostrar desempenho distinto ao longo do ano. Com 5,4 mil caminhões, novembro, porém, registrou ligeira melhora com relação a outubro — 15,7% a mais — e repetiu o resultado de um ano antes, o que não quer dizer muito, afinal no segundo semestre de 2015 os executivos do setor manifestavam a torcida por um 2016 bem melhor. O que definitivamente não aconteceu.

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