Montadoras buscam nacionalização de autopeças

A Reposição Automotiva ganhou destaque durante o VIII Fórum da Indústria Automobilística, organizado pela Automotive Business, no dia 17, em São Paulo. Segundo os debatedores presentes no painel “As Compras das Montadoras”, o aumento da produção por meio da nacionalização de autopeças entre as fabricantes de veículos elevará, ainda neste ano, os negócios envolvendo componentes produzidos no Brasil. Participaram da discussão executivos da PSA Peugeot Citroën, Fiat Chrysler Automobiles (FCA), Mercedes-Benz, Caoa e Ford.

Para Erodes Berbetz, diretor de compras da Mercedes-Benz do Brasil, o crescimento deve ficar entre 5% e 10% no volume deste ano em relação a 2016. “Apesar de termos elevado índice de nacionalização, sempre encontramos oportunidades para localizar mais. E também vamos ampliar exportações, comprando mais dos fornecedores daqui”.

A Ford, informou uma projeção de alta de 7% a 8%, segundo Roxana Molina, diretora de compras da montadora na América do Sul. A executiva lembrou que a empresa reiniciou o terceiro turno em Camaçari, BA, em fevereiro deste ano, e garantiu que o número de fornecedores com problemas vem diminuindo. “Se antes havia 100 deles, hoje são 70”, comentou sobre a redução de 30%.

Também o diretor de compras para a América Latina da PSA, Antonio Carlos Vischi, disse que a expectativa é de aumento dos negócios internos. Não especificou índices, mas destacou que a companhia registra crescimento na região este ano. “Sempre buscamos o máximo de integração local. E em muitos casos estamos tendo retorno positivo dos fornecedores. Estamos aqui para apoiá-los”.

O diretor de compras da FCA, Armando Carvalho, garantiu, por sua vez, que a estratégia da empresa é localizar o máximo de peças na região. “Quanto mais pudermos comprar localmente, melhor”. As aquisições diretas da FCA atingiram R$ 14 bilhões no ano passado e, segundo Carvalho, a ideia é crescer um pouco ou ao menos repetir esse número.

Entre as cinco empresas participantes do painel, a Caoa é uma das que mais se esforçam para ampliar o índice de nacionalização. Segundo o diretor de compras e de RH do grupo, Ivan Witt, a empresa encerrou 2016 com a compra de 5,5 mil itens locais, mais que o dobro do ano anterior. “Eram 250 itens em 2014 e 2,5 mil em 2015. Estamos acelerando esse processo por causa das exigências do Inovar-Auto”.

O próximo lançamento da empresa, o caminhão HD-80, terá índice de nacionalização de 70%. “Para podermos vender o produto com recursos do Finame vamos comprar o motor localmente. Já acertamos o fornecimento com a FPT”, revelou Witt. Além disso, a empresa inicia este ano processo de estamparia de peças em Anápolis (GO).

O diretor de compras da PSA revelou, por sua vez, que a montadora já escolhe fornecedores para a nova plataforma que lançará no Brasil, garantindo que o objetivo nesse caso é ter 90% de índice de nacionalização. Também está em curso o processo da FCA em Pernambuco de construção de dois novos parques de fornecedores. “Ainda nesta terça-feira, 18, teremos reunião na fábrica mineira de Betim para encaminhar o projeto”, comentou o diretor de compras do grupo.

PROBLEMAS NA BASE FORNECEDORA

Todos os participantes do painel falaram de problemas na base fornecedora, que atingem principalmente as empresas pequenas, mas a maioria dos executivos acredita que as dificuldades hoje são menores que no passado. A PSA, por exemplo, reduziu sua base fornecedora, dando oportunidades aos que investem mais, que oferecem qualidade e apresentam boa saúde financeira.

A FCA investe em processos internos de troca de experiência com os fornecedores, enquanto a Mercedes-Benz mantém processo de monitoramento da saúde financeira de seus parceiros. Ivan Witt, do Grupo Caoa, garantiu que a montadora enfrentou poucos problemas no processo de ampliação do conteúdo local. “Tivemos falhas apenas com dois fornecedores no ano passado e nos dois casos houve um final feliz”.

Pesquisa eletrônica coordenada pela Atlas Copco confirmou durante o painel as citadas melhorias na cadeia automotiva ao longo do último ano. A maioria, 65,6% dos votantes, garantiu que a situação da base fornecedora é difícil, mas administrável.

Há um ano esse índice tinha sido de 52%. Do restante, 24,6% avaliaram a situação como crítica, muito difícil, e 9,7% informaram não ter problemas.

A pesquisa indicou ainda que 41,3% dos fornecedores presentes têm conhecimento de algum programa de ajuda das montadoras ou têm recebido algum tipo de apoio. Com relação aos volumes de compras locais, 40,8% disseram que elas caíram, 32,6% que subiram e 26,5% avaliaram que os níveis estão se mantendo.

Fonte: Automotive Business

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