Mercado Automotivo inicia recuperação

Após três anos em crise, a produção e venda de veículos novos ganham fôlego e crescem.

Após três anos consecutivos em queda, o setor automotivo respira novos ares em 2017. Os números estão em crescimento na produção, vendas, investimentos e na utilização da capacidade de produção. A produção de veículos entre 2014 e 2016 foi o principal exemplo do momento de dificuldade que atingiu toda a cadeia automotiva. Ao todo, houve uma queda acumulada de 41,89% na produção (2,15 milhões foram fabricados em 2016 ante os 3,7 milhões em 2013, último ano antes da crise).

Desde 2013, ano em que o Brasil teve seus maiores índices na produção, ocupação das fábricas e comercialização de veículos, 2017 vem tendo os primeiros resultados positivos na comparação com o ano anterior.

Resultados do setor automotivo entre 2013 e 2017

*Considerando apenas o período entre janeiro e julho

Resultados entre os meses de janeiro e julho (variação entre os anos subsequentes)

Na primeira parte de 2017 os resultados têm sido superiores em todos os aspectos na comparação com o ano anterior. A indústria tem ganhado fôlego, a capacidade de produção tem sido mais bem aproveitada, os empregos voltaram a subir e as vendas retomaram o crescimento após três anos difíceis.

Primeiro  semestre  fecha  no  azul

De acordo com os dados da Anfavea, de janeiro a julho, foram fabricados 1 milhão 488 mil 41 de unidades, alta de 22,4% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Antônio Megale, presidente da Anfavea, disse que com as exportações em alta e os licenciamentos em rota de crescimento, a utilização da capacidade instalada deverá melhorar até dezembro, principalmente no segmento de automóveis e comerciais leves. Hoje, a indústria pode produzir até 5 milhões de veículos:

“Nossa estimativa é de uma produção de veículos de 2,6 milhões a 2,8 milhões de unidades. Isso vai nos levar a reduzir a ociosidade na indústria. Deveremos chegar a um nível menor que 50%. Hoje, estamos em 52% de ociosidade. Mas, o volume de caminhões e ônibus ainda é preocupante”. Em média, as fabricantes de veículos pesados produzem cerca de 30% de sua capacidade.

Em julho, a produção também cresceu com relação ao mesmo mês do ano passado. Foram fabricadas 224 mil 763 unidades ante 190 mil 612 veículos em julho de 2016. A venda de veículos novos no Brasil subiu 1,9% em julho em relação a igual mês do ano passado, para 184,8 mil automóveis.

Exportações  têm  impacto  positivo

A indústria automobilística brasileira segue em recuperação graças, principalmente, às exportações, que registram recordes sucessivos. Para o período de janeiro a julho, as vendas externas aumentaram 55,3%, em comparação ao mesmo intervalo de 2016, e puxaram a produção, que cresceu 22,4%, permitindo assim uma melhora, ainda que pequena, no uso da capacidade instalada das empresas e estabilidade no nível de emprego.

Nos sete primeiros meses do ano, foram exportados 439,6 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, ultrapassando a melhor marca anterior para o período, que foi em 2005, com 420 mil unidades. Aquele ano também foi o melhor para o setor, com 724,1 mil veículos enviados ao exterior. Os fabricantes acreditam que podem superar esse volume ainda neste ano.

Só em julho as exportações somaram 65,7 mil unidades, 42,5% a mais que em igual mês do ano passado.

Expectativas

As fabricantes apostam em alta de 4%, para 2,133 milhões de unidades. É possível que a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reveja essa previsão de crescimento. Uma melhora do mercado é esperada em razão da queda dos juros e da inflação.

Melhora deve  vir  acompanhada de  investimentos

A Anfavea listou uma série de medidas tomadas pelas montadoras que devem fomentar um crescimento mais agudo.

Investimento de montadoras

A General Motors investirá R$ 1,4 bilhão no Complexo Industrial de Gravataí, RS, como parte do plano de investimentos de R$ 13 bilhões no Brasil entre 2014 e 2019. O aporte será aplicado no desenvolvimento de novas tecnologias e introdução de conceitos inovadores de manufatura para a produção de novos veículos. De acordo com a empresa, os investimentos já estão atraindo cinco novos fornecedores para o Estado, criarão novos postos de trabalho e são parte dos planos para tornar a GM Mercosul uma plataforma de exportação global.

A Renault do Brasil anunciou investimento de R$ 750 milhões no Complexo Ayrton Senna, localizado em São José dos Pinhais, PR. O objetivo é a construção de uma nova fábrica de injeção de alumínio, que receberá R$ 350 milhões para produção de blocos e cabeçotes e ampliação da unidade de motores, onde serão aplicados R$ 400 milhões em novas linhas de usinagem. O anúncio foi feito em Curitiba, du

A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, Fenabrave, promoveu, em agosto, o 27º Congresso & EXPOFENABRAVE. A edição deste ano reuniu cerca de 3 mil participantes e foi dividida em duas áreas: o Congresso, com palestras, workshops e mesas redondas voltadas ao setor, e a EXPOFENABRAVE, feira de exposições exclusiva para empresas ligadas à distribuição de veículos do País. É o maior evento do gênero na América Latina e o segundo maior do mundo no segmento. Ainda em agosto, no dia 17, a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, AEA, promoveu o Seminário de Manufatura Automotiva. O evento, realizado em São Paulo, SP, discutiu os potenciais impactos da implantação dos conceitos da indústria 4.0 no Brasil, na sociedade de forma geral e nas indústrias automobilísticas.

Fonte: Anfavea

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