Números positivos no Setor Automotivo

Últimos dados divulgados pelas entidades do Setor mostram crescimento nos principais indicadores

Chegada a reta final de 2017, não resta dúvida sobre a recuperação da economia e, sobretudo, do Setor Automotivo. Após três anos em retração, fabricantes de automóveis, de autopeças, distribuidoras, concessionárias de zero km e lojas de usados respiram novos ares. Os planejamentos voltaram a ser de empresas que crescem. Onde havia suspensão de contratos e planos de demissões voluntárias, hoje há espaço para o retorno dos funcionários inativos e até para a ampliação de pessoal.

Por mais que 2017 tenha tido um cenário mais positivo do que os anos anteriores, se há um mês que exemplifique bem a virada de página do Setor Automotivo e que tenha servido para dar um ponto final às dúvidas sobre a força da retomada tão esperada, esse foi o décimo mês do ano. Cresceram os níveis de emprego, produção, vendas, exportação e importação. Todos esses números apontam para um mesmo resultado: mais fabricação e vendas no Setor.

Vendas

De acordo com o último levantamento realizado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), com base nos emplacamentos de veículos registrados pelo Denatran, no mês de outubro, foram comercializadas 282.363 unidades, entre automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros. Esse volume representa alta de 20,98% na comparação com o mesmo mês de 2016, quando foram emplacados 233.393 veículos. Na comparação com setembro, quando as vendas totalizaram 276.116 unidades, o resultado de outubro foi 2,26% superior.

No acumulado dos 10 meses, foram comercializados 2.635.130 veículos, o que representa 0,80% de crescimento ante igual período do ano passado, quando foram licenciadas 2.614.269 unidades. “Este é o primeiro mês em que observamos resultados positivos para todos os segmentos somados, o que nos mostra uma evidente tendência de recuperação do Setor para os próximos meses”, comemora Alarico Assumpção Júnior, Presidente da Fenabrave.

Financiamento de veículos

Os usados puxaram uma alta histórica no financiamento de veículos durante o mês de outubro. Com o melhor resultado desde 2010, o crédito para a compra de carro teve um aumento de 20,3% na comparação com o mesmo período de 2016. Foram comprados 450.237 carros, motos e caminhões.

Desses, 71,6% foram usados (290.483) e 28,3% foram zero quilômetro (159.754). Os financiamentos de cada um desses tipos de veículos aumentaram cerca de 20% sobre 1 ano atrás. No total, o volume de veículos comprados com crédito neste ano é 7,2% superior ao do ano passado. Este deverá ser o primeiro ano de alta depois de 5 quedas consecutivas

Exportações

O levantamento divulgado pelo Sindipeças em novembro, referente a setembro, indica exportações no valor de US$ 666,3 naquele mês. Uma desaceleração na comparação com o agosto de 4,6%, mas um incremento de 22,4% no confronto com setembro de 2016. Do lado das importações, o resultado foi positivo tanto na passagem mensal (12,4%) como na comparação interanual (2,8%). Até setembro deste ano, o déficit comercial havia subido 6,8%, com as exportações apresentando alta de 10,5% e as importações, 8,9%.

Desde maio, convém notar que o crescimento das exportações de autopeças supera o das importações, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. Além de representar o avanço sustentado das vendas para outros mercados, simboliza o esforço dos fabricantes de autopeças em atender, principalmente no mercado de reposição, estratégia comercial das montadoras brasileiras em prática desde o segundo semestre do ano passado. De acordo com a Anfavea, as exportações de autoveículos alcançaram 566 mil unidades no acumulado até setembro (76% do volume projetado pela Anfavea até o fim deste ano), com incremento de 58,0% frente a igual período de 2016.

A Argentina segue como o principal destino das exportações brasileiras, seguida pelos Estados Unidos, México e Alemanha. Interessante notar que, após cinco anos consecutivos em queda, cabe o registro ao primeiro ano com crescimento das exportações (em setembro de 2016 a queda acumulada já atingia 16%). Desde agosto, a China se tornou o principal país de origem das importações brasileiras de autopeças, como já havíamos notado, representando 12% do total. Em igual período do ano passado, o país ocupava apenas a terceira posição no ranking.

Em âmbito estadual, as exportações e as importações se concentram no Estado de São Paulo, por conta das melhores condições portuárias. Em 2016, esta unidade da Federação representava 48,0% das exportações e 50,5% das importações. Nesse ano, passou para 52,8% e 52,7%, respectivamente.

2016 já foi batido

As montadoras já bateram a marca atingida em 2016. De janeiro a outubro, foram montadas 2,236 milhões de unidades de carros, caminhões e ônibus. Em todo o ano passado, o país havia fabricado 2,156 milhões de veículos. O desempenho interrompe a série de três anos de quedas. A produção encolhia desde 2013, quando as fábricas entregaram 3,76 milhões de unidades. Os dados são da Anfavea, a associação das montadoras.

O patamar atual ainda está distante do melhor momento da indústria. Mas 2017 marca o ponto de virada no setor. O ritmo é claramente mais forte do que aquele de um ano atrás. Na comparação com os dez primeiros meses de 2016, a produção cresce 28,5%. O desempenho de outubro foi especialmente relevante para atingir o resultado.

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