Em 12 meses, a inflação dos mais pobres é a menor

A desaceleração dos preços dos alimentos ao longo deste ano favoreceu de forma mais intensa a população de baixa renda, aponta estudo do Grupo de Conjuntura do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada). Em 12 meses, até outubro, a inflação das famílias de menor poder aquisitivo —com renda abaixo de R$ 900 por mês—, subiu 2%. Entre as famílias mais ricas, com renda mensal de R$ 9 mil, a alta foi de 3,5%.

Segundo o Ipea, o maior peso dos alimentos na cesta de consumo dos mais pobres explica a dinâmica mais favorável no curto prazo. Nos últimos 12 meses, o grupo registrou forte desaceleração. Nos próximos meses, a expectativa de aceleração nos preços dos alimentos deve voltar a pressionar a inflação das classes mais baixas.

O fenômeno já pôde ser observado em outubro, quando a inflação da renda mais baixa refletiu a contribuição menos favorável dos alimentos e também a alta da energia elétrica (3,3%) e do gás de botijão (4,6%).

Nos últimos 11 anos, é a inflação dos mais pobres que sobe mais, justamente pressionada por alimentos. Ela acumula alta de 102%, bastante superior à observada na faixa de renda mais alta, de 86%.

Nas contas do Ipea, os alimentos representam 29% da cesta de consumo dos mais pobres. Entre aqueles com renda acima de R$ 9 mil, o peso é de apenas 9%.

Em contrapartida, as famílias mais pobres gastam apenas 2,2% da sua renda com educação, 1,4% com serviços de saúde e 1,6% com despesas pessoais —itens com maiores variações em 12 meses.

Já os mais ricos dispendem 10,3%, 6,8% e 5,4%, respectivamente. Para o Ipea, incertezas políticas, uma eventual mudança no cenário externo e a redução da safra agrícola esperada para 2018 são vistos como fatores de risco e podem pressionar a inflação.

Algumas variáveis, no entanto, como a elevada ociosidade da capacidade produção das empresas e a lenta recuperação do mercado de trabalho, devem manter a inflação abaixo de 4,5% em 2018. Segundo o instituto, a previsão de uma gradual elevação da inflação nos próximos meses não deve gerar riscos significativos à estabilidade monetária.

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