Produção de veículos tem o melhor janeiro desde 2014

Emprego e fabricantes

A recuperação da produção de veículos seguiu consistente em janeiro, apontam os dados divulgados pela Anfavea, associação que representa as montadoras instaladas no Brasil. Segundo a entidade, foram fabricadas 216,8 mil unidades no mês passado, volume 1,5% superior ao de dezembro e o maior patamar para o mês desde 2014. “O crescimento na comparação mensal é pequeno, mas ainda assim é um número bom”, aponta Antonio Megale, presidente da entidade. Sobre janeiro do ano passado a evolução foi ainda maior, de 24,6%.

Os avanços mais expressivos aconteceram na produção de veículos pesados. O ritmo das fábricas de caminhões encolheu 5,3% na comparação com dezembro, mas acelerou 57,2% sobre o mesmo mês de 2017, somando 7 mil unidades. Já no segmento de ônibus a alta foi de 37,5% na comparação mensal e de 70,1% na anual, para 1,8 mil chassis.

O aumento da produção de veículos atendeu à demanda do mercado interno e das exportações, que seguem aquecidas e tiveram janeiro recorde. Ainda assim, os estoques subiram e chegaram a 38 dias, com 228,7 mil unidades armazenadas nos pátios das fábricas e concessionárias. “O patamar ideal é de 30 dias. As empresas fizeram recomposição dos estoques, que deve ser regularizado nos próximos meses”, estima Megale.

Emprego sobe, mas ociosidade segue elevada

A retomada da produção automotiva impulsionou também o nível de emprego no setor. Foram contratadas 676 pessoas, elevando o número de funcionários das montadoras para 128,9 mil trabalhadores. Ainda que de forma lenta e gradual, as montadoras estão em processo de aumentar o ritmo das duas plantas, diz Megale. “Cinco empresas adicionaram um novo turno de produção nos últimos meses”, conta. Este é o caso da MAN, da Volkswagen, Renault, General Motors e Toyota.

Segundo a Anfavea, está em queda o número de funcionários com jornada de trabalho reduzida pelo PSE (Programa de Sustentação ao Emprego) ou afastados em regime de layoff. Em janeiro 1,7 mil pessoas estavam afetadas por esta medida. Durante a fase mais aguda da crise este número chegou a passar de 36 mil profissionais.

Mesmo com as boas notícias, no entanto, Megale lembra que as fábricas automotivas ainda estão bem distantes do patamar ideal. O executivo calcula de que a capacidade instalada no Brasil varie entre 4,5 milhões e 5 milhões de veículos por ano. Assim, a indústria mantém 40% de seu potencial ocioso – 37% no caso das plantas de leves e 70% para as unidades de pesados. “O ideal é que a ociosidade fique em torno de 20%, algo que só deve acontecer na próxima década, quando o mercado interno voltar ao patamar de 3 milhões de unidades por ano”.

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