Ineficiência será castigada

Falta pouco, depois de muitas incertezas, para início do programa Rota 2030. Trata-se de um conjunto de regulamentações técnicas – segurança, economia de combustível e emissões – em três períodos de cinco anos, que indicará caminhos para produzir e/ou importar veículos no mercado brasileiro.

É possível, depois de quatro adiamentos, que seja anunciado no próximo mês de maio. Na realidade, depois de mais 100 reuniões entre governo federal e representantes do setor em 2017, há consenso em todos os temas técnicos. A discussão continua sobre custo dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). O Governo Federal alega que a situação fiscal do País dificulta qualquer incentivo no momento, embora a indústria alegue que desembolsos futuros sobre P&D podem ser redirecionados do Brasil para outros países.

Durante o IX Fórum da Indústria Automobilística, na semana passada em São Paulo, organizado pela Automotive Business, as peculiaridades do Rota 2030, sucessor do Inovar-Auto (2013-2017), tomou boa parte das apresentações e debates. O novo programa exigirá investimentos de US$ 5 bilhões especificamente em P&D. “A contrapartida é que 30% ou US$ 1,5 bilhão possa ser compensado, a posteriori, com crédito de impostos diretos como IPI ou de importação”, lembrou Antônio Megale, presidente da Anfavea. O governo quer compensação no imposto de renda, mas as empresas alegam que precisam ter lucro e isso não acontecerá tão cedo depois de uma crise de vendas atroz nos últimos quatro anos.

 

Mais provável é uma conta de chegar para destravar o impasse, possivelmente um nível de incentivo menor que o proposto.

Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, afirmou que “Rota 2030 não é panaceia, mas alinhamento com os avanços atuais no exterior e possibilidade de planejar em longo prazo”. Já o consultor Octavio de Barros, da Quantum4, parafraseou o dramaturgo Nélson Rodrigues, mas adaptou à situação econômica: “Toda ineficiência será castigada”. Para ele não há mais tempo a perder.

Durante o evento,, o tema continuou quente no Seminário Autodata Mercosul Automotivo. Pablo di Si, presidente da VW América do Sul e Caribe, enfatizou a necessidade de não ficar para trás. “Precisamos decidir se vamos apenas dobrar chapas metálicas ou avançar em direção à modernidade”, disparou. Ele acredita que Brasil e Argentina devem perseguir grau de integração ainda maior e continuar uma adaptação do nível de comércio até alcançar a livre troca de produtos.

Um dos facilitadores é ter um “carro único” nos dois lados da fronteira. Possa ser produzido e vendido sem adaptações em um mercado ou outro. A GM Mercosul, segundo declarou seu presidente Carlos Zarlenga, está bem próxima disso. Ele não adiantou qual seria o primeiro modelo, mas a coluna apurou que se trata do Spin em sua evolução de meia vida, em meados deste ano.

“Temos um plano muito robusto de evolução de todo nosso portfólio nos dois países até 2021/22. Vamos anunciá-lo em breve”, afirmou. Por enquanto, não revela quantos produtos serão, estratégia diferente da VW que pretende fazer 20 lançamentos até 2020: 13

produzidos aqui, dois na Argentina e cinco importados.

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