Automóveis e SUVs sem nova redução no IPI, por enquanto

Automóveis e SUVs sem nova reduação no IPI, por enquanto
Automóveis e SUVs sem nova reduação no IPI, por enquanto

03/05/2022

Anfavea tem um novo presidente, Márcio Leite, da Stellantis, que substituiu Luiz Carlos Moraes, da Mercedes-Benz. A entidade vai completar 66 anos de existência no próximo dia 15 de maio e Leite, de 51 anos, é o 20º a ocupar a posição para mandatos trienais. Ele terá muito desafios pela frente de curto e longo prazos.

Logo de início a esperada segunda rodada de redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos não saiu da forma que se esperava. Na realidade, o Governo Federal realmente ampliou o corte na alíquota do IPI de 25% para 35%, para vários produtos em um segundo decreto publicado em 29 de abril último. Mas é bom lembrar que, no caso da indústria automobilística, a primeira rodada, em 1º de março, a redução foi de 18% e não de 25%. No preço final a diminuição ficou entre 1,2% (motores de 1 litro, flex ou gasolina) e 3,7% (motores acima de 2 litros, gasolina). Os últimos representam apenas 2% das vendas totais.

A surpresa agora é que apenas picapes e furgões enquadraram-se no segundo decreto. Estes produtos já tinham alíquotas mais baixas e os reflexos no preço final foram de 0,6% no primeiro decreto e 0,65% no segundo, totalizando 1,25% conforme cálculos da Bright Consulting. Como isso será repassado aos compradores dependerá da estratégia de cada marca. Os custos da indústria têm subido bem mais do que esses percentuais.

Automóveis e SUVs não se beneficiaram da segunda rodada de corte no IPI, neste momento. Porém há ainda possibilidade de o Governo Federal rever esta posição, pois há forte pressão da Anfavea e da Fenabrave para tanto. É bom salientar que a redução das alíquotas é definitiva e não temporária como aconteceu diversas vezes no passado, causando distorções até no mercado de trabalho. E empresa lucrativa, quando houver, paga imposto de renda. Automóveis, no Brasil, são os mais taxados diretamente do mundo.

Há uma longa cadeia produtiva e comercial ligada à indústria automobilística no Brasil: 20% do PIB industrial, 98.000 empresas, 1,1 milhão de empregos e investimentos de R$ 105 bilhões de 2014 a 2018.

Entre as prioridades de atuação de Márcio Leite estão aumentar a localização de itens como chips e caixas de câmbio automáticas (mais de 50% das vendas), exportações, descarbonização progressiva com ajuda do etanol e renovação da frota. “Tudo dentro do senso de urgência que tudo isso exige”, declarou na sua posse.

Fernando Calmom
www.fernandocalmon.com.br

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